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Método de Ampliação por Grade

Método de Redimensionamento por Grade(*)

Pré-história

Os artistas têm utilizado auxílio mecânico durante séculos. Nos séculos 15 e 16, por exemplo, um mestre poderia desenhar no papel seu projeto completo para um afresco, depois seus assistentes transfeririam uma parte daquele projeto para o gesso umedecido o suficiente para um dia de trabalho. Eles o fizeram fazendo furos ao longo das linhas do desenho, segurando o papel sobre a superfície de gesso e depois “decalcando” (com batidas) as linhas com sacos de musselina com fuligem ou carvão mineral. O artista poderia posteriormente continuar seu trabalho auxiliado por uma representação de seu desenho na forma de pontos escuros próximos um dos outros.

Albrecht Dürer, famoso por seus desenhos magníficos, utilizava várias “engenhocas de desenho” para estudar perspectiva e obter escorços convincentes.

Utilizando esta máquina, observando de um ponto fixo, ele poderia ver através de uma grade de barbante e transferir o que via para a superfície de desenho, que continha uma grade similar.

Substitua um objeto tridimensional por um esboço bidimensional ou por uma fotografia e você verá que Dürer utilizava um precursor do agora comum método da grade de ampliação (ou redução).

Você pode ter ouvido a insinuação de que o uso de quaisquer artifícios como esse de alguma maneira reduz a “arte”. Eu discordo veementemente disso. Dürer se utilizava de uma câmera para converter formas tridimensionais em bidimensionais, mais manipuláveis. Ele o faria.

Walter Sickert (1896-1948), que em seus últimos anos de vida baseou muito do seu trabalho em fotografias, respondeu a seus críticos que a única prova para qualquer artista era o produto acabado, não importando por quais etapas preparatórias ele passou.

Planejamento do projeto – Falhar em se preparar é preparar-se para falhar

Há tantas alterações que você pode fazer no desenho antes de resultados desastrosos que é preferível aprimorar o estudo durante as etapas iniciais. Estou assumindo que você começou (assim como eu) por um pequeno e manipulável desenho linear. É nessa etapa que a maior parte das mudanças e das decisões é feita, que a composição é decidida e que as áreas problemáticas são encontradas e solucionadas. Se você estiver baseando seu desenho em uma fotografia, você pode ser tentado a aumentá-la e transferi-la para a o papel numa única etapa, mas gostaria de não aconselhar esse procedimento – você igualmente transferirá potenciais problemas que ocorrem naturalmente na foto e arruinará ou distorcerá o desenho acabado. A retirada do fundo, por exemplo, pode fazer aparecer linhas confusas (espontâneas) atravessando o desenho que perturbam seu equilíbrio. Utilizar a etapa intermediária acima descrita permitirá a correção de erros ópticos e criará um novo equilíbrio artificial que trará harmonia e agradabilidade.

Então, você está contente com o resultado e agora necessita ampliar seu desenho linear e transferi-lo para a superfície de desenho definitiva – veja como…

Método da grade de redimensionamento

Quando fizer ampliações de um esboço, você pode traçar suavemente uma grade de linhas regulares diretamente no esboço ou (como com fotografias) pode utilizar uma caneta de ponta fina apropriada para desenhar as grades sobre uma folha de acetato. O método com o acetato é preferível já que você terá grades permanentes e sempre a mão para todas as ocasiões. Quanto menores forem as quadrículas, mais precisa sua reprodução ficará. Conclui que uma grade com quadrículas de ½ polegada (aproximadamente 1 cm) foi bastante adequada para uma fotografia de 6” x 4” (aproximadamente 15 cm x 10 cm).

Mas pensei que o Mike desaconselhou utilizar uma única fotografia diretamente como ponto de partida? Verdade – Mas você pode aumenta-la duas vezes! Primeiro transforme a fotografia em um desenho linear maior (mas manipulável) e depois o amplie para o tamanho final desejado. Por quê? O desenho linear proporciona várias vantagens. Ele lhe dá a oportunidade de efetuar alterações. Se, por exemplo, você estiver desenhando um cão, este é o momento ideal para incorporar alterações de expressão, para abrir ou fechar a boca ou para deslocar aquela língua desajeitada. Isso também permite remover todo o sombreamento tridimensional, o que torna muito mais fácil aplicar a iluminação como você desejar. E, acima de tudo, aumenta consideravelmente sua compreensão por deixá-lo em contato com a figura propriamente dita e não apenas com sua representação fotográfica. Ok, o sermão acabou! Vamos para a aula…

1.Coloque a folha de acetato (com a grade para baixo) sobre o desenho ou fotografia e conte o número de todas as quadrículas que cobrem toda a área do desenho ou fotografia.

2.Pegue a folha de papel, meça a parte de cima e a divida em tantas divisões quanto o número de quadrículas que você obteve. Proceda da mesma maneira para a altura. Agora ligue as marcações para fazer a grade de quadrículas, que automaticamente ampliará o desenho ou fotografia para as dimensões corretas.

Coloque o acetato sobre o esboço.


Desenhe suavemente uma grade similar no papel e depois copie uma quadrícula por vez.

Método da Grade Avançado

Etapa 1

Esta é uma variação avançada do método mostrado anteriormente e possui algumas principais vantagens – nenhuma grade é desenhada no papel, as linhas-guias são fáceis de apagar e a transferência imediata e precisa para as linhas-guias é possível mesmo após elas terem sido apagadas.

1.Meça o papel como foi feito acima e calcule o tamanho das quadrículas necessárias, mas não desenhe a grade. Em vez disso, pegue uma folha de cartão branco do mesmo tamanho do desenho e trace sobre ele as grades com tinta preta.

2.Por cima desse cartão, fixe uma folha de papel vegetal (aquele usado por arquitetos, ou use qualquer papel resistente e semitransparente) cobrindo as grades.

3.Coloque sua grade traçada no acetato sobre o esboço ou a foto e faça a cópia, quadrícula por quadrícula, sobre o papel vegetal. Certifique-se de manter a sua mão fora da superfície – repousando-a sobre um canto do papel – já que a umidade da sua mão rapidamente fará que o papel vegetal se curve e enrugue. Você precisa garantir que ele permaneça plano.

Etapa 2

Este é o método que utilizei para a maioria dos 52 estudos de cabeça que desenhei para a minha coleção de impressões de edição aberta.

1.Fixe o papel de desenho na mesa ou prancheta da maneira habitual e em seguida coloque o papel vegetal contendo seu esboço ampliado por cima, posicionando-o cuidadosamente até ficar na posição correta.

2.Prenda o papel vegetal com fita em todo o lado superior – de preferência ao papel de desenho, pois assim nenhum dos dois poderá se mover de maneira independente.

3.Pegue uma segunda folha de papel vegetal (aproximadamente de 11” x 8” (28 cm x 20 cm) é adequado para mim) e cubra completamente seu lado áspero com grafite 6B. Não seja mão-de-vaca – você está fazendo um “papel- carbono” de grafite.

Mantenha seu “papel-carbono” em uma pasta de arquivo e o terá pronto para uso sempre que necessário – apenas renove o 6B de tempos em tempos.

Etapa 3

Usando “papel-carbono” de grafite

Para finalizar o método avançado, coloque o papel-carbono por baixo do papel vegetal e (com a mão repousada sobre um pedaço de cartão), redesenhe cada linha. Eu utilizei uma agulha de costura dentro de uma lapiseira para essa finalidade, mas um lápis de grafite duro executará a tarefa. Você pode remover com segurança o papel-carbono a qualquer momento e conferir o andamento, pois a folha com o desenho linear que está em cima (se seguramente você o deixou fixado com fita no lugar) sempre retornará com precisão à mesma posição. Na verdade, neste método de trabalho há muito a se elogiar…

• As linhas-guias não adentram nas depressões do papel e podem ser removidas completamente com Blu-Tack/Massa adesiva ou com borracha maleável. Você pode cobrir uma área de tom uniforme por cima de qualquer área apagada com a certeza de saber que nenhuma linha indesejada aparecerá para assombrá-lo.

• Como o papel vegetal é articulável na parte superior do desenho, ele pode ser basculado em qualquer etapa do desenho para conferir sua precisão (especialmente útil caso a correção de um erro apagou as linhas-guias originais!). Quando você perder o seu caminho, este é o “mapa” que o fará voltar ao curso.

Ao trabalhar com este método, o meu hábito era apagar as linhas-guias na área em que eu estava prestes a trabalhar, até que ficou faltando apenas uma mera sombra (rolando massa adesiva sobre ela) – se você precisar das linhas-guias depois, abaixe o desenho linear já refeito.

E, por fim não seja escravo das linhas-guias… na melhor das hipóteses elas proporcionam um posicionamento preciso, na pior das hipóteses elas estão simplesmente erradas – você desenha o que parece correto, não o que as fotos sugerem que se pareça.

(*) Tradução do tutorial realizado por Mike Sibley.

Para visualizar esse artigo diretamente no site de Mike Sibley, Clique aqui: http://www.sibleyfineart.com/tutorial–gridding-art.htm

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